Capa Pessoa vs Marca

Pessoa x Marca: como equilibrar CNPJ e CPF na internet

No meio das relações parasociais com celebridades, existe algo que o grande público muitas vezes esquece: artistas são marcas. E, como qualquer marca, todas as suas aparições públicas são pensadas estrategicamente para fortalecer seu posicionamento (ou pelo menos deveriam). Essa mesma lógica vale para quem está na internet criando conteúdo ou empreendendo: cada post, cada aparição, cada escolha de comunicação conta para construir (ou fragilizar) a percepção sobre você. Mas como achar esse equilíbrio entre CNPJ e CPF no digital?

Taylor Swift lançou 15 versões do álbum “folklore (2020)” e Charlie XCX lançou 20 versões do álbum “brat (2024)”

Assuma seu papel de vendedor

Já ouvi muito o papo de “venda sem parecer que está vendendo”, e essa mentalidade só te atrasa na internet. Se você está criando conteúdo, você está vendendo. Vendendo uma ideia, um serviço, um produto ou até mesmo se vendendo. Assumir isso para si mesmo é o primeiro passo para fazer com que as coisas fluam e você comece a ganhar dinheiro.

Olhe para Charli XCX ou Taylor Swift: uma de suas estratégias é lançar múltiplas versões do mesmo álbum para aumentar as vendas. Tem gente que critica, mas honestamente, qual o problema em querer vender seu produto? Se tem gente comprando, é porque essas críticas não importam.

Saiba identificar se um trabalho vale a pena

Beyoncé e Adele deixaram o Brasil de fora das últimas turnês porque financeiramente não compensaria trazer toda a estrutura. Por um lado, as equipes pensam no lucro. Por outro, há o desgaste de branding com fãs que ficam frustrados por não serem incluídos.

No seu caso, pode ser que você aceite uma publi mal paga com uma marca grande só pelo destaque. Mas até quando isso é vantajoso? Beyoncé e Adele não vão trazer uma tour mundial só porque a gente quer (mesmo querendo muito, viu). É o trabalho delas, não um favor. Precisa ser viável. Da mesma forma, você não está fazendo um favor ao criar conteúdo para uma marca: está prestando um serviço.

Beyoncé e Adele com a bandeira do Brasil

Não se cobre tanto pelos seus erros, mas também não abuse

Todo mundo erra. Mostrar esses erros no meio do caminho pode até te aproximar da sua comunidade. Mas quando o erro vira padrão, a credibilidade vai embora.

Justin Bieber talvez seja o maior exemplo: de prisões a polêmicas com fãs, equipe e até a esposa, ele errou repetidas vezes. Apesar de ainda manter uma fanbase grande, não é tão sólida quanto antes. Muitas marcas, como Ferrari e H&M, já deixaram claro que querem distância do cantor. A lógica é simples: falhou? Assuma, corrija e siga. Mas se repetir os mesmos erros, a confiança se perde.

Justin Bieber e Katy Perry

Incoerência no discurso só te faz virar chacota

Katy Perry ilustra bem esse ponto. Durante anos, foi criticada por um discurso feminista considerado raso e performático. Além disso, sua decisão de apoiar e trabalhar com um homem acusado de abuso e até mesmo a polêmica viagem ao espaço minaram ainda mais sua credibilidade. O resultado? A percepção pública sobre ela nunca se recuperou totalmente, e isso se reflete em sua relevância atual no pop.

Para qualquer marca pessoal, o recado é claro: não adianta levantar bandeiras sem sustentação prática. O público sente incoerência de longe.

No fim das contas, estar na internet é saber equilibrar o modo pessoa e o modo marca. Você pode (e deve) mostrar vulnerabilidade, bastidores e até tropeços, mas também precisa assumir que cada escolha de comunicação é estratégica. O público se conecta com pessoas reais, mas também respeita quem sabe conduzir sua carreira como um negócio. Quem consegue transitar entre esses dois mundos constrói uma presença muito mais forte, coerente e duradoura.

Popbook – Colocando a edição na prática

  • Reflita sobre sua comunicação: o que no seu conteúdo é modo pessoa e o que é modo marca?
  • Aceite que você está vendendo algo para sua audiência: assim fica mais fácil criar uma estratégia de crescimento.
  • Avalie propostas: esse job vale a pena seu esforço, tempo e investimento?
  • Revise erros passados: já assumiu e corrigiu ou está repetindo?
  • Cheque sua coerência: você pratica o que fala?

Agora conta pra gente, qual o maior aprendizado dessa edição?

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