Como Crepúsculo virou um clássico Camp

Se você esteve na internet no último ano, provavelmente ouviu um certo “Hoa hoa hoa” ecoando no seu feed. A saga Crepúsculo não apenas voltou; ela reencarnou com uma força que ninguém esperava.

Mas como uma franquia de 2008, massacrada pela crítica na época, se tornou o ápice do cool? A resposta está em uma palavra: Camp.

O Legado (e o Preconceito)

Crepúsculo redefiniu o entretenimento adolescente. A saga inaugurou a era dos triângulos amorosos épicos, abriu as portas para uma onda de romances sobrenaturais e influenciou diretamente sucessos como The Vampire Diaries, Shadowhunters, Teen Wolf e Jogos Vorazes.

Mas, ao mesmo tempo, a obra foi brutalmente deslegitimada. Tratada como “coisa de menina histérica”, a saga sofreu com a misoginia cultural que adora menosprezar tudo o que garotas adolescentes amam com intensidade.

O curioso é o plot twist do destino: aquilo que antes era motivo de vergonha alheia (o famoso “cringe”), hoje é cultuado como Camp e amado justamente por ser exatamente o que é.

Mas afinal, o que é esse tal de “Camp”?

O conceito de Camp, explorado no famoso ensaio de Susan Sontag, fala sobre o amor pelo exagero, pelo artifício e pelo que é “tão ruim que é bom”.

Crepúsculo é a definição perfeita de Camp. É a atuação exagerada, o roteiro melodramático, a peruca duvidosa, o filtro azul excessivo e os vampiros que jogam beisebol ao som de Muse. Nada ali tenta ser realista. E é exatamente nessa “falta de noção” que a Gen Z se encantou.

Em um mundo de conteúdos polidos por IA e feeds perfeitamente curados, a imperfeição caótica de Forks soa refrescante. Nós não gostamos de Crepúsculo apesar dos defeitos. Nós gostamos por causa deles.

Imagem: Reprodução / Twilight (2008) © Summit Entertainment / Lionsgate.

Conforto no Caos: A Nostalgia como Refúgio

E por que voltamos para Forks? A psicologia explica: em tempos de incerteza econômica e ansiedade global, o cérebro busca o conforto do conhecido.

Não é segredo que a nostalgia está em alta. Estamos vivendo um momento onde remakes estão sendo lançados em massa, sequências de filmes dos anos 2000 estão a todo vapor e um live-action é anunciado por mês. De certa forma, é até sufocante sentir que as grandes produtoras parecem não saber mais contar histórias novas.

Mas a questão é que Crepúsculo oferece um “lugar seguro”. A atmosfera chuvosa, as músicas indie dos anos 2000 e a simplicidade dos problemas da Bella (cujo maior dilema é escolher entre um vampiro e um lobisomem) funcionam como um cobertor térmico para uma geração exausta. É um escapismo sensorial. Você não assiste pelo roteiro; você assiste pela vibe.

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A Longevidade através do Meme

Se a saga sobreviveu até 2026, a culpa é da internet. A comunidade transformou a franquia em um dialeto próprio:

  • O meme do “Hoa hoa hoa” (a trilha sonora Eyes on Fire);
  • O bebê de CGI bizarro (Renesmee);
  • A cena do baseball;
  • O vampiro que brilha no sol;
  • As atuações exageradas.

A internet não ri da saga com maldade; ela ri com a saga. Isso cria um senso de pertencimento. Ser fã de Crepúsculo hoje é fazer parte de uma piada interna global. E nada une mais as pessoas do que rir das mesmas coisas.

Briefing para Creators:

O renascimento de Crepúsculo nos ensina lições valiosas sobre construção de comunidade e marca pessoal:

  1. Abrace o Cringe: O medo de ser “bobo” trava sua criatividade. A autenticidade muitas vezes mora no que é imperfeito. Se o seu conteúdo for genuíno, mesmo que meio estranho, ele conecta.
  2. Crie Rituais e Atmosfera: A saga é reconhecida instantaneamente por uma cor (azul) e uma trilha sonora. Sua marca tem essa força sensorial?
  3. Não subestime o poder da Comunidade: A franquia se manteve viva porque os fãs continuaram criando conteúdo sobre ela (fanfics, edits, memes, produtos, etc). Dê munição para sua audiência brincar com seu conteúdo.

Crepúsculo provou que não é preciso ser “cult” ou aclamado pela crítica para ser eterno. É preciso ter alma, estética e capacidade de gerar conversa.

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