Capa rebranding, novo album nova era

A Reinvenção no Branding das Pop Girlies

Criar uma marca relevante hoje não é apenas sobre ser reconhecida, é sobre ser vivida, acompanhada e desejada. As artistas pop de hoje em dia entendem isso perfeitamente — elas não estão apenas lançando álbuns, estão construindo experiências de marca em múltiplas camadas, com storytelling, estética, cultura e comportamento. Ou seja, estão construindo um branding forte. Sabendo de tudo isso, é impossível não pensar em se inspirar nelas para criar estratégias de marcar pessoais e institucionais — afinal, elas estão em constante reinvenção.

Na indústria da música, poucas artistas dominam essa arte como Taylor Swift. A cada novo projeto, ela constrói uma identidade visual e narrativa distinta. Mesmo com mudanças radicais de som e estilo, tudo ainda conversa com a essência de quem ela é. A Loirinha percebeu cedo que, se ficasse parada, seria copiada. A solução? Movimento constante. Seus álbuns se tornaram eras, cada uma com sua estética, cor, universo simbólico e estratégia de comunicação. O resultado disso foi a The Eras Tour, que percorreu todas as suas fases musicais e arrecadou mais de US$ 2 bilhões, se tornando a maior turnê da história.

Taylor Swift no photoshoot do primeiro álbum/Taylor Swift durante a Eras Tour (Taylor Swift/Divulgação)

🪩O que pessoas e marcas podem aprender com isso? Crie suas próprias eras. Ao lançar um novo produto, começar uma nova fase ou simplesmente querer se comunicar de outra forma, pense: qual é a história que estou contando? Como essa fase pode ser traduzida visualmente, nos meus conteúdos, no que eu visto, na forma como falo?

Outro nome que entende bem esse jogo é Beyoncé. Ela se desafia a explorar novos gêneros musicais a cada projeto — Pop, R&B, EDM e, mais recentemente, country, com Cowboy Carter. O álbum foi aclamado, virou fenômeno cultural e lhe rendeu o Grammy de Álbum do Ano em 2025, tornando Beyoncé a primeira mulher negra a vencer essa categoria desde Lauryn Hill, em 1999.

Capa do álbum Cowboy Carter (2024)

✨E aqui entra um ponto crucial: a inovação só funciona quando é feita com intenção, consistência e contexto. Caso contrário, o público não compra. Antes de mudar, pergunte-se: essa transformação faz sentido para o meu momento e minha marca? Ela dialoga com o que o meu público espera, mas também surpreende? A chave é manter a essência mesmo quando a forma muda.

A era Bangerz, de Miley Cyrus, é um ótimo exemplo do que acontece quando a mudança parece forçada. Na tentativa de romper com a imagem da Disney, ela adotou uma estética agressiva, fez performances provocantes e lançou músicas ousadas. Tudo parecia um esforço extremo de ruptura — e, com tantas polêmicas envolvendo Miley, as marcas se afastaram por um tempo. O público pode até amar uma boa quebra de expectativa, mas o que isso vai dizer sobre a sua marca?

Miley Cyrus como Hannah Montana/ Miley durante divulgação do álbum Bangerz (Walt Disney Company – Divulgação/RCA – Divulgação)

Já o caso de Demi Lovato mostra como reinvenções sem direção clara podem enfraquecer uma marca pessoal. Nos últimos anos, Demi passou por fases muito distintas: lançou um álbum pop punk, voltou ao pop com baladas, afirmou ter abandonado pronomes neutros e depois retomou, sempre com o discurso de que “essa é a verdadeira eu”. Ela também fez declarações que causaram ruído, como criticar uma loja de frozen yogurt por “promover dietas”, e dizer que o termo “alien” era ofensivo aos extraterrestres. A soma desses episódios fez com que parte do público deixasse de levar seu discurso a sério — o que prova que consistência também é credibilidade.

Demi Lovato cantando Skyscrapper para fantasmas na série documental Unidentified With Demi Lovato (Peacock)

Por outro lado, não mudar também pode ser um problema. A transição da era Future Nostalgia para Radical Optimism, da Dua Lipa, foi sutil demais para o público perceber uma novidade. Mesmo com músicas fortes e visuais lindos, faltou o elemento surpresa — algo que despertasse conversa e engajamento em tempos de redes sociais. Em um cenário de hiperestimulação visual, o impacto importa.

Dua Lipa/Gracie Abrams (Divulgação)

Algo semelhante pode acontecer com Gracie Abrams, caso ela mantenha a mesma linguagem visual e sonora no próximo álbum. A artista tem potencial para crescer ainda mais se souber usar o momento para criar uma era com mais identidade e diferenciação. Ou seja: sem identidade clara, não há narrativa forte — e, sem narrativa, não há conexão.

🎶O uso da estética é fundamental como parte da narrativa. Grandes artistas usam paleta de cores, figurinos, cenografia e materiais promocionais como extensão do que estão dizendo com suas músicas. Marcas e criadores de conteúdo também podem aplicar isso: a estética não é só enfeite, ela é um convite visual para o público entrar na sua história e engajar.

Por fim, há um fator que não pode ser ignorado: essa pressão por reinvenção recai quase exclusivamente sobre mulheres. Na indústria da música, artistas femininas são constantemente cobradas para reinventar suas imagens — enquanto muitos artistas masculinos seguem repetindo fórmulas por anos sem serem criticados. O público exige das mulheres uma narrativa nova, um visual renovado, uma performance ousada, mas tudo isso precisa vir embalado no formato “certo”, dentro de uma expectativa estreita sobre o que é aceitável.

Taylor Swift resumiu bem essa cobrança em seu documentário Miss Americana (2020):

“Seja inovadora para nós, seja jovem para nós, mas apenas de uma maneira diferente e apenas da maneira que queremos. E reinvente-se, mas só de um jeito que consideremos reconfortante, mas também desafiador para você. Viva uma narrativa que achamos interessante o suficiente para nos entreter, mas não tão louca a ponto de nos deixar desconfortáveis.”

💡 No fim, o que essas artistas mostram é que marcas — pessoais ou corporativas — ganham força quando são planejadas como narrativas vivas. Reinvente-se com intenção. Use a estética a seu favor. Planeje suas transições. Construa com tempo. E lembre-se: sua era mais icônica pode estar só começando.

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